18 de dezembro de 2010

L5R - Gempukku (Parte 9): O Clã Leão


Eis que chega a hora de falar da maior potência militar de Rokugan! A Mão Direita do Imperador! Os samurais exemplares, guerreiros de Honra e Virtudes incontestáveis, o histórico, heróico, paladinesco e peludo Clã Leão!


Confesso que hoje não estou nos meus dias mais inspirados para escrever, então, não se surpreendam se por acaso o post sair uma droga. Ando irritado com coisas pessoais, e tentarei fazer o possível pra não deixar nada daqui se contaminar com isso (exceto que seja para descarregar tudo ao melhor estilo Fúria de Matsu!).

A enquete nem foi a das mais votadas (apenas 6 votos, 50% ao Clã Leão), mas foi uma vitória mesmo assim. Bom, sem mais chororô, ao Clã Leão.


O Clã Leão

Famílias: Akodo, Matsu, Kitsu e Ikoma
Cores: Tons terrosos, marrom, amarelo e bronze.

O Mon do Clã Leão
"Sem Honra não há vitória. Sem medo não há derrota!"
- Akodo.

O Clã Leão foi fundado pelo mais leal irmão que Hantei teve, o Kami Akodo. Akodo sempre foi aguerrido em bastante enfático em tudo quanto fazia ou falava. Quando enfrentou seu irmão no Torneio dos Kamis, porém, ele viu o quanto isso pode ser desastroso. Hantei percebeu que o único jeito de superar seu irmão seria recorrer às suas reservas de fúria interior, o que quase fez dele um fratricida. No último instante, em que Akodo estava para arrancar a cabeça de seu irmão, Hantei faz um movimento que reflete a luz do sol para os olhos de Akodo, que lembra de sua mãe e pára o ataque. Arrependido do que estava prestes a cometer, Akodo, visando obter o perdão de seu irmão, promete que seria seu seu servo mais fiel, ao lado de seus seguidores.

Kami Akodo, o Caolho, fundador do Clã Leão e autor do livro Liderança
Ao longe, Togashi, que observava a tudo, dizendo já saber quem seria o Campeão, protetizou: "Quando cair o último Akodo, cairá também o último Hantei."

Como seus "samurais" (a própria palavra foi invenção de Akodo, que ele usou primeiramente para designar os seus seguidores que o serviriam e ao Imperador Hantei I. Só posteriormente a expressão passou a designar outros seguidores dos Kamis), Akodo buscou os mais bravos e fisicamente capazes guerreiros. Indo de vilarejo em vilarejo, Akodo desafiava abertamente quem se canditasse a um combate pessoal contra ele próprio. Poucos homens obviamente seriam loucos de cruzar espadas com um Kami, contudo, Akodo não esperava que o vencessem, e sim que não apresentassem medo ou fraquejo. Em sua jornada, muitos ainda se juntaram a Akodo, mas dois em especial se destacavam.

Ikoma, o contador de histórias.
O primeiro foi Ikoma. Ele era um velho beberrão, mulherengo e de boca suja. Ele ofendeu o Kami assim que o viu entrando em "sua" casa de sakê, e imediatamente o advertiu que enfrentá-lo não seria boa idéia. Ikoma apresentou várias bravatas de seus feitos passados, como um mon de um homem que o desafiou se dizendo estudante de Kakita. Segundo o próprio Ikoma, "ele deveria ter estudado mais". Depois apresentou uma cicatriz imensa em seu rosto. Ikoma disse que foi uma criatura das Terras Sombrias que fizera isso nele, é claro, antes dele estripá-la. Com as mãos nuas, como um homem de verdade faria. Ikoma podia passar a tarde toda ali falando de suas lutas, e de seus exageros homéricos sobre suas vitórias. Akodo não chegou a se impressionar muito com isso, mas sim com as reações das pessoas na casa de sakê que assistiam hipnotizadas às histórias de Ikoma. Por fim, Akodo simplesmente se levantou e chamou o homem para trocarem golpes até que um deles chamasse pelo nome da mãe. Ikoma disse que haveria um problema nisso. Ele não lembrava o nome da dele. Impressionado pela sagacidade do velho, Akodo fez dele um samurai, e deu-lhe o direito de formar uma Família em seu futuro Clã. Hoje, os Ikoma agem como cortesãos primordiais do Clã Leão. Seguindo o legado de seu fundador, registrando (não raramente com exageros) os feitos heróicos das vitórias que seu clã sagra em campo de batalha, e incentivando a moral dos soldados propriamente ditos. Os Ikoma possuem a segunda maior biblioteca do Império destinada  a fins históricos, competindo em volume apenas com as Bibliotecas Imperais Miya. Ao passo que os Ikoma avolumam seus registros com descrições poéticas e elouqüentes de cada passo dos personagens nelas registrados, os Miya apelaram para a exatidão imparcial em suas descrições.

Matsu, a Dama do Leão.
A segunda seguidora mais notável de Akodo cronologicamente, embora sem dúvidas a mais popular, foi Matsu. Matsu foi uma mulher simples, que defendia sua pequena aldeia contra bandidos e ladrões. Quando Akodo foi até lá, ela se dispôs a enfrentá-lo, com a condição de que se vencesse, nem Akodo nem qualquer outro Kami colocaria os pés ali. Akodo então respondeu ao desafio, acrescentando que se vencesse, Matsu seria sua esposa. Ambos lutaram ferrenhamente, e para a surpresa de todos, Matsu competia de igual para igual com o Kami. Por fim, ambos se deram por empatados ao final de quase um dia inteiro de confronto. Matsu não se casou com Akodo, mas o seguiu como uma samurai-ko (feminino de "samurai"), e assim como Ikoma, recebeu o direito de formar sua Família subordinada aos Akodo. Matsu posteriormente foi o Trovão do Leão, quando se interpôs ao filho de Ikoma que foi a escolha de Akodo. Os Matsu de hoje seguem impecavelmente o legado de fúria a serviço da justiça e dos ideais corretos do Bushidô doutrinados por Akodo. Eles são de longe a mais numerosa Família de samurais do Império, e um dos principais alicerces para o poderio militar do Leão. O estilo de combate Matsu enfatiza força e fúria para finalizar o combate o mais rápido possível. As armas prediletas dos Matsu incluem as espadas tradicionais, como a katana, mas também a no-dachi (uma versão maior da katana, semelhante à espada montante em relação à espada longa européia). Um ramo particular dos Matsu (cuja representante mais notável seria Matsu Aoiko), porém, recententemente se especializou no uso da mai chong, uma espécie de lança-tridente. O fato é que são uma Família que sozinha já superaria o poderio militar de muitos outros Clãs inteiros, e isso a serviço do Clã Leão realmente serve muito bem aos propósitos da Mão Direita do Imperador.

Matsu por si só é uma figura bastante notável dentro dos nobríssimos ancestrais do Clã Leão. Ela foi uma mulher humana (condição duplamente desfavorecida) a enfrentar um Kami. Depois, embora servindo-o com zelo incontestável, ainda assim o desobedeceu ao se candidatar como Trovão do Leão, mesmo que isso significasse deixar para trás seu marido e filha. É natural que ela seja uma figura freqüentemente retratada em peças e romances, como um personagem heróico e cativante. "Noiva de Homem Algum" é mais famosa dessas peças.

Kitsu Ineko, uma shugenja Kitsu.
Os Kitsu foram a última adição às linhas do Clã Leão. Originalmente, o termo "kitsu" se referiria a uma raça de humanóides com cabeças de leão, uma raça inicialmente caçada quase à extinção pelos exércitos de Akodo, que os tomavam erroneamente como servos de Fu Leng (um decreto Imperial exigiu a extinção de todas as raças não-humamas de Rokugan, a fim de evitar a infiltração das monstruosidades das Terras Sombrias no Império). Porém, Akodo percebeu após um embate o poder místico dos kitsu. Eles conseguiam acessar os Reinos Espirituais além do Ningen-do, e assim se comunicar com ancestrais há muito idos de sua raça. Tentando reparar os danos que cometeu à nobre raça, porém, Akodo os acolheu como uma Família dentro de seu Clã. Com o passar dos anos, o Kitsu aprenderam a tomar formas humanas e seu sangue se diluiu entre as gerações humanas do Clã Leão. Hoje, mesmo infinitas gerações depois dos kitsu originais, ainda pode-se notar certas características ímpares nos Kitsu que apresentam grandes ligações aos seus ancestrais, como cabelos mais avermelhados e olhos castanhos. Os Kitsu, naturalmente, ocupam a posição de shugenjas dentro do Clã Leão, não só servindo ao seu clã com apoio mágico em batalha, mas também sendo responsáveis por todo o cerimonial religioso dentro do Clã, cuidando para que as almas de seus ancestrais repousem nobremente e tenham legados dignos no presente. Além da habilidade única de lidar com os ancestrais (rokugani-mente, dizendo, qualquer pessoa morta é passível de ser chamado de ancestral, independente se ela chegou ou não a ter alguma descendência), a magia Kitsu se concentra no Elemento Água, curando e dando força e a mobilidade de um rio ao os soldados do Leão.

Bushis Akodo em posição de batalha... Ou talvez só posando
pra ilustração.
Por fim, mas nem por isso menos importantes, os Akodo são os líderes naturais do Clã. Se não em questões burocráticas, pelo menos em campos de batalha. A princípio, os Akodo são os estrategistas e oficiais de comando dos exércitos do Leão (embora haja exceções de um ou outro Matsu e Ikoma nesses cargos também). Os Akodo também podem ser vistos combatendo nas linhas de frente de seus exércitos, usando o estilo Akodo de esgrima, totalmente enfatizando na precisão sobre a força, quase um estilo complementar ao estilo Matsu. Se os Matsu fornecem soldados furiosamente capazes para lotar seus exércitos, e com os Kitsu e Ikoma dando apoio mágico e moral (respectivamente), e com as infinitas estratégias e planos que os Akodo passam anos desenvolvendo através dos mais variados métodos (treinamentos em campo aberto, jogos de go, simulações e lições de história), tem-se o Clã Leão como um adversário senão invencível, pelo menos extremamente difícil de ser superado em enfrentamento militar direto. Além de ter moldado a visão que toda Rokugan tem de um "samurai", o legado de Akodo para as gerações futuras foi seu livro "Liderança", no qual discute o comportamento samurai, as Virtudes do Bushidô e um ou outro princípio estratégico militar. Os Akodo quase sempre se colocam como líderes naturais em qualquer questão que abordem, e sempre se esforçam ao máximo para incentivarem comportamentos honrados de seus companheiros através do exemplo. Isso os torna naturalmente assuntos de inúmeros registros históricos Ikoma.

Matsu Fumyo. Mais promissora integrante do Orgulho do Leão.
Em entrevista ao ilustrador, revelou que se mantém jovem e bonita
 treinando 3h por dia, duelando até a morte uma vez por semana
e hidratando sua trança com o sangue de seus inimigos.
E se os exércitos "básicos" do Leão já são temíveis, suas unidades de elite beiram reputações quase lendárias. Creio que a mais célebre dessas seja os Seguidores da Morte ("Deathseekers"). Não exatamente uma unidade de elite no sentido prestigioso da expressão, os Seguidores recebem muito bem qualquer samurai que se considere tão desonrado a nível de ter como único meio de remissão uma morte valorosa em combate. Normalmente os Seguidores ocupam as vanguardas dos exércitos do Leão, prontos para serem levados pelos inimigos do Clã, poupando a vida de samurais mais dignos que eles. Isso, é claro, depois de ceifar o máximo possível de soldados do inimigo. O Orgulho do Leão ("Lion's Pride") é formado apenas por mulheres da Família Matsu, que visam reproduzir em larga escala o espírito guerreiro da fundadora da Família. Já o Colégio de Guerra Akodo forma estrategistas e comandantes aos pés dos mais lendários oficiais de guerra que o Leão tem, prosseguindo com a contínua melhora das futuras gerações. Por fim, certos indivíduos do Leão também demonstram uma afinidade imprevisível e puramente espiritual com os animais que simbolizam seu Clã. Os Mestres das Feras ("beastmasters") comandam pequenos grupos de leões, que o vêem como um membro do bando. Em batalha, eles levam verdadeira bestial sede de sangue a quem ousar enfrentar o Clã Leão. Curiosamente, os mestres das feras também chamam seus grupos de felinos de "orgulho", à mesma maneira que o exército "Orgulho do Leão".

Matsu Benika, uma Mestra das Feras. Numa imagem de
qualidade horrorosa provida pela L5Rwiki.
Todo esse fabuloso organismo de batalha está à disposição do Campeão do Leão e do Imperador em pessoa. O Clã visa fornecer ao Imperador (e assim ao Império) um exército incapaz de falhar, do mesmo modo que a Garça visa ser uma impecável ferramenta política. A Garça foi por séculos inimiga atroz do Leão em conflitos fronteiriços, em grande parte por artimanhas do Escorpião, que visava que nenhum dos dois tivesse poder suficiente para ameaçar o trono, fazendo uso da antiga rixa entre Kakita e Matsu.

Recentemente, o Clã Leão teve a Família Akodo desmanchada por Edito Imperial, após o Golpe do Clã Escorpião. Os Akodo então, sob o último comando do então daimyo da Família Akodo Toturi, foram adotados por outras Famílias do Leão ou se tornaram ronins. Durante esse tempo, o cargo de Campeão do Clã foi intercalado pelas Famílias Matsu, Ikoma e Kitsu. Só bem recentemente a Família foi reintegrada e o cargo de Campeão do Leão é exercido atualmente por um Akodo de novo (Shigetoshi). O cargo de liderança aliás, sofre inúmeras mudanças nos últimos anos, passando por Matsu Nimuro, seu clone maligno criado pelo Ovo de Pan'Ku, e depois por um período regencial em virtude da morte de "Nimuro" nas mãos do então Khan do Unicórnio, Moto Chagatai. O regente foi Ikoma Otemi, governou até o filho de Nimuro, Matsu Yoshino ter idade mínima para assumir o comando do Clã. Embora jovem, o "garoto" demonstrou incrível tato político e estratégico, tendo inclusive poupado a vida do assassino de seu pai no posterior episódio da marcha do Unicórnio para tomar o trono Imperial, numa demonstração tremenda de humilhação. Yoshino prometera que dentro de um ano a partir daquele dia, Shiro Moto seria tomado por um exército do Leão. A promessa foi parcialmente cumprida. Realmente a força ofensiva do Leão sitiou Shiro Moto, mas (ao menos ao que me consta) ele não chegou a ser tomado. Yoshino morreu em duelo pessoal contra Chagatai, que para previnir posteriores ataques do Leão, também se matou a sós dentro do castelo. Como ordem póstuma de Yoshino, o cargo de Campeão foi então repassado a Akodo Shigetoshi, que é o Campeão até então vigente.

Um bushi do Leão usando da típica diplomacia do Clã.
"Pela última vez: CADÊ O MEU BISCOITO?!"
Entre outras figuras mais recentemente marcantes, creio que ninguém se compare à importância do próprio fundador da Dinastia Toturi, o ex-daimyo da Família Akodo, posterior ronin e por fim Imperador, Akodo Toturi. Toturi foi inicialmente desacreditado como Campeão pela própria daimyo então vigente dos Matsu. Durante o Golpe do Clã Escorpião, Toturi desafiou e matou Bayushi Shoju, o arquiteto de todo o Golpe. Em seu lugar, havia subido ao trono o então infante Imperador Hantei XXXVIII, que furiosamente repreendeu Akodo Toturi por sua demora para salvar seu pai (morto por Shoju) e baniu todo o Clã Escorpião para as Areias Ardentes. Toturi então tentou se defender das repreensões e protestou que a punição para Shoju (encinerado numa Ppira comum) e o banimento de todo o seu Clã como exagero a alguém que, fora isso, sempre serviu ao trono com firme retidão. Mais furioso ainda, o Hantei conferiu o mesmo destino a toda a Família Akodo. Talvez tudo isso tenha sido pensado por Toturi, que aproveitou a ocasião, e munido das profecias apocalípticas de Shoju (que falavam da queda do último Akodo, e que o último Hantei seria o meio pelo qual Fu Leng retornaria ao mundo) constrói o Exército de Toturi, formado por ronins de todos os Clãs numa mega estrutura militar capaz de aproveitar o que cada Clã oferecia de melhor. Quando foi revelado como Segundo Trovão do Imperador, e enfrentou Fu Leng encarnado no mesmo Hantei XXXVIII, Toturi foi quem desferiu o golpe final no Imperador possuído, e posteriormente aclamado Imperador na nova dinastia.

Também poderíamos citar toda a intrincada história de Matsu Nimuro e seu clone maligno "Tamago"; Aoiko, a jovem Matsu designada para ajudar o então descrido como ressurreto Hida Kisada; Kitsu Okura, o Campeão de Jade corrompido pela maho e responsável pela grande tragédia das Tumbas Kitsu; e de fato muitos outros...

Bom, Força e Honra a todos, então! E espero que tenham gostado de mais este post "Gempukku"!

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Leia Também:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...