3 de agosto de 2015

L5A: Barcos em Rokugan

Saudações, amigáveis blogueiros!

Este assunto já foi pedido aqui no blog, pelo Facebook do blog, e realmente é uma área meio carente de material oficial... Talvez pela AEG temer que muita ênfase em barquinhos tirasse o hype (que hype?) do RPG primo de L5R, o 7th Sea. Enfim, fato é que, de certa forma da mesma maneira que o Japão Feudal, Rokugan parece não se importar muito com barcos ou os oceanos. Sim, há razões para isso, e também as discutiremos neste post.

Bom, primeiramente, assim que tive tempo e disposição para começar a escrever este post, eu comecei a pesquisar primeiramente sobre as embarcações orientais de períodos antigos, já que o material oficial de fato era escasso a respeito. Acontece que as coisas são bem díspares a respeito. As embarcações marinhas japonesas seguiram rumos muito diferentes das rokuganis, enquanto as fluviais lembram mais na verdade as chinesas. Só que ainda assim, com significativas diferenças. Assim, resolvi jogar as informações históricas meio pro lado já ficaria mais tempo falando de exceções do que propriamente de como elas são e como podem nos ser úteis.

Ilhas da Seda e Especiarias. Lar do Clã
Louva-a-deus.
Em segundo lugar, já entrando no assunto propriamente dito, de maneira geral, o conhecimento náutico de Rokugan é bastante limitado. Mesmo considerando outros padrões medievais. E as razões para isso são bem fortes. Primeiramente, a geografia não ajuda muito. Sim, Rokugan possui uma costa imensa, e até mesmo um arquipélago com um Clã Maior nele (o Louva-a-deus). Porém, não nos esqueçamos que Rokugan também é uma terra assolada por tempestades, maremotos e terremotos com devida frequência, o que desincentiva bastante evoluções na área. Depois disso, ainda temos o fato de que quase todo contato com nações externas foi traumático para Rokugan. Gaijins acabaram enfiando uma bala em uma Imperatriz que foi uma heroína por ter derrotado a conspiração Gozoku (Imperatriz Hantei Yugozohime). Isso pode parecer pouca coisa. "Rei morto, rei posto", mas só para ter ideia, assassinar assim um Imperador/Imperatriz é algo que nem mesmo as Terras Sombrias haviam feito até então. Isso abre um rombo imenso no inconsciente coletivo, e provar que nem tudo lá fora é necessariamente maligno depois disso seria um trabalho e tanto. Toda essa xenofobia e paranoia chegou ao extremo de emitir um edito Imperial proibindo certos avanços náuticos. A lei diz se apoiar numa valorização da cultura dos ancestrais, mas na verdade a ideia por trás dela é exatamente manter o Império afastado dos "gaijins matadores de Imperadores".

Para piorar ainda as coisas, o suplemento Emerald Empire (no qual eu ainda devo trabalhar no futuro) nos diz que também há a questão da "força da tradição". Os barcos sempre foram assim, sempre serão assim. Ir contra isso é querer ser melhor que os ancestrais. Claro, há uma penca de outras forças por trás desse discurso. Imperiais querendo evitar que outro governante tome outro tiro na testa, e contrabandistas que querem evitar que seus laços com nações estrangeiras sejam descobertas. É mais ou menos por isso que os barcos rokuganis são tão... Atrasados.

Típico kobune rokugani. Eles podem chegar a três mastros
e comportam em torno de 25-30 pessoas.
Ok, mas atrasados quanto? Bom, alguns conceitos básicos de navegação aqui: De modo geral, embarcações ocidentais e até mesmo as modernas hoje usam um conceito chamado de lastro. Ele equilibra o peso do barco longitudinalmente ao longo da embarcação, evitando que ela vire de lado, criando um "peso" ao longo de sua "espinha". Essa compensação automática é bastante eficiente. Embarcações que não estendem a "lâmina da quilha" (o famoso "casco chato") ao longo de todo ele podem ser preferidas em águas fluviais, normalmente mais calmas e porque tendem a fazer o barco "flutuar" mais. Isso evita que o barco bata e rache em rochas ou coisas semelhantes. Basicamente, este é o modelo de casco usado na maioria dos barcos rokuganis. Os chamados "kobunes" (notem que o prefixo "ko-" normalmente é usado em Japonês para indicar diminutivo, logo, são barcos pequenos mesmo). Isso inclui os usados no mar de Rokugan. Conforme falei, esta é uma péssima ideia se tratando de navegação em alto mar. Principalmente um tempestuoso e imprevisível como o de Rokugan. Por essas e outras grande parte da navegação na verdade permanece próxima à costa.

Mas muitas dessas regras gerais são exceção justamente para o Louva-a-deus. Sim, eles têm barcos com tecnologia de lastro. Seus cascos são mais resistentes e eficientes do que os comumente encontrados em outros clãs. E sim, isso viola leis Imperiais. Por esse motivo mesmo, o Louva-a-deus não gosta de ter entendidos de outros clãs em suas docas ou até mesmo xeretando abaixo do convés. Outros pontos fortes da navegação do clã de Yoritomo vem do fato da família Moshi, além de shugenjas controladores do clima, também ter ótimos navegadores. Isso somado à tradição de capitães audazes líderes do clã, e claro, os "melhores arqueiros do Império", os Tsuruchi.

Típico kobune rokugani, viajando rio abaixo.
Velas + água favorável = viagem bem rápida!
Certamente que o simples fato de termos barcos viajando pra cima e pra baixo ao longo dos rios do Império já supre muito material para aventuras. Barcos são meios de transporte eficientes porque não precisam "descansar". Uma tripulação eficientemente coordenada pode se alternar e continuar velejando. Se seguirem a direção do fluxo do rio então, a própria natureza colabora para a viagem. Barcos são principalmente usados como meios de transporte para mercadorias, mas isso não exclui que pessoas e personagens também possam viajar. Se estão acostumados aos barcos, isso outra história. Desnecessário dizer, grande parte da dieta típica rokugani vem de peixes e outros frutos do mar. Assim, muitas especiarias raras são obtidas através da pesca ou extrativismo marítimo (como ostras, mariscos, lagostas, polvos, lulas, etc.). Ainda assim, uma das maiores dificuldades em alto mar é exatamente conseguir comida. O Louva-a-deus (e provavelmente outros clãs também, já que dificilmente isto seria um feito tecnologicamente impressionante) possui técnicas para secar os peixes e assim conservá-los por mais tempo, o que permite viagens mais longas.

Batalha do Gamo Branco. Uma das mais famosas batalhas navais
de Rokugan.
De modo geral, barcos teriam pouca outra aplicação em Rokugan. Sim, eles podem ser usados em combate, mas bem raramente foram usados. Sim, barcos podem até ser uma linha de suprimento interessante, mas exceto para os clãs costeiros, enfrentamento direto em águas abertas é bem raro. O Louva-a-deus já bloqueou comércio pelas costas da Fênix, e isso isoladamente já quase lhe rendeu a vitória na Guerra do Fogo e Trovão. Mas enfrentar o Louva-a-deus no mar é uma má ideia exatamente porque ele possui todas pontos fortes neste tipo de enfrentamento.

Acima de tudo, os barcos deles são naturalmente mais bem construídos. E não por capricho. Eles precisam ser. Em segundo lugar, eles estão mais acostumados ao mar pela própria natureza. Suas tropas estão acostumadas aos enjoos e imprevistos do imprevisível mar rokugani. Além de navegadores e shugenjas capazes de inflar suas velas enquanto minguam as dos adversários e literalmente controlar as tempestades. Por fim, arqueiros capazes de assolar os barcos inimigos com flechas e decidir qualquer enfrentamento antes de qualquer abordagem mais direta. Ou queimar velas e simplesmente deixar a tripulação inimiga inteira à deriva.

De modo geral, o entendimento rokugani varia pouca coisa em relação ao modelo básico de "kobune". Poucos outros clãs cometeram inovações nesse sentido, como por exemplo, o Clã Caranguejo, criando a famosa "tartaruga de ferro". O koutetsukan aplica basicamente as ideias de infantaria pesada do Caranguejo ao mar. E o resultado é uma embarcação blindada, maior e mais pesada que o típico kobune. Isso não o torna muito mais lento que o típico kobune, já que seu tamanho pode ser usado para usar mais velas. Mas ele não costuma ser usado contra outros navios, e sim para enfrentar demônios marinhos no Mar das Sombras (sim, as Terras Sombrias têm uma versão marinha). Mas, por vários outros motivos, ele não se sai muito bem em oceano aberto.

O koutetsukan Caranguejo já foi apresentado assim...

... Ou assim.
A recente expansão às Colônias ajudou bastante o desenvolvimento náutico de Rokugan. O Louva-a-deus (um dos únicos clãs com acesso às Colônias, junto do Unicórnio) criou barcos mais adequados a viagens continentais, usando tecnologias gaijins, inclusive. O que não era proibido pela lei Imperial, já que as Colônias não são exatamente "o Império".

Bom, pessoal. Acho que isso já fala e ilustra bastante sobre os barcos de Rokugan. E vocês? Usaram barcos em suas campanhas? Algum personagem seu já foi marujo ou capitão? E nomes de navios, que tal?

4 comentários :

  1. Muito legal o post!
    Eu costumo usar bastante viagens de barco. Em primeiro lugar porque sempre narro nas colônias (porque a segunda cidade é uma das minhas coisas favoritas) e em segundo porque sempre tem um mantis com um barco próprio no meu jogo :P
    Se eu não me engano o Crane passa a investir bastante em barcos após eles pegarem a Twin Forks City, não? Rolou até guerrinha naval com o Mantis.

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    1. O Crane sempre foi relativamente forte em navios. De longe o maior litoral do cenário, e antes da eminência do Mantis, seria o clã mais forte neste quesito. O próprio Mantis acho q já teve que queimar alguns barcos alvi-azuis para conseguir se destacar, mesmo antes das Colônias, eu acho...

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  2. Caramba, muito bom esse texto. Vai servir demais pra um jovem novato em Rokugan encantado pelo Clã Mantis kkk

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  3. Um dia ainda narro uma crônica Mantis/Garça de conflitos em alto mar.

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